Seguro Honda CG 160: Por que as Seguradoras Fogem da Moto Mais Vendida do Brasil?
Entenda por que a Honda CG 160 se tornou o "sonho dos ladrões" e por que o valor do seguro pode chegar a 40% do preço da moto. Analise os riscos de furto e a influência da cor antes de fechar negócio.
Honda CG 160: a moto mais roubada do Brasil? Entenda por que ela se tornou um dos maiores desafios para quem busca proteção
A Honda CG 160 é, há anos, uma das motocicletas mais populares do país. Seu sucesso é resultado de uma combinação difícil de superar: baixo consumo de combustível, manutenção acessível, confiabilidade mecânica e facilidade de revenda. Não por acaso, ela é a escolha de milhares de brasileiros para trabalhar, estudar e se locomover diariamente.
Somente em 2025, quase 480 mil unidades da Honda CG 160 entraram em circulação no Brasil, o equivalente a aproximadamente 55 novas motos por hora chegando às ruas.
Mas toda essa popularidade trouxe uma consequência preocupante.
Segundo Hugo Jordão, justamente por ser a motocicleta mais desejada pelos consumidores, ela também passou a ser uma das mais desejadas pelo crime organizado. O resultado é um cenário preocupante para os proprietários: índices elevadíssimos de furtos e roubos, dificuldade para conseguir seguro e custos de proteção cada vez maiores.
Neste artigo, você vai entender por que isso acontece e quais fatores devem ser considerados antes de comprar uma Honda CG 160.
A popularidade da Honda CG 160 virou um problema
Ser a motocicleta mais vendida do Brasil é, ao mesmo tempo, uma grande vantagem e um enorme desafio.
Quanto maior a quantidade de veículos circulando, maior também é a necessidade de peças para manutenção. Pequenos acidentes, quedas e desgastes naturais fazem com que milhares de proprietários procurem diariamente componentes de reposição.
Essa enorme demanda cria um mercado extremamente lucrativo para peças usadas.
É justamente nesse ponto que o crime organizado encontra oportunidade.
Em vez de comercializar a motocicleta inteira, muitos criminosos optam por desmontá-la rapidamente e vender suas peças no mercado paralelo. Como existe um grande número de CGs circulando pelo país, praticamente qualquer componente encontra comprador com facilidade.
Esse ciclo acaba alimentando novos furtos e roubos continuamente.
Além disso, a própria motocicleta possui alta liquidez. Por ser reconhecida como uma excelente opção para trabalho e uso diário, também é relativamente fácil para criminosos revendê-la de forma irregular.
Em outras palavras, a mesma característica que faz da CG uma excelente compra para o consumidor também a torna extremamente atrativa para quem atua na criminalidade.
O ciclo que alimenta o aumento dos furtos
O problema vai muito além da quantidade de motos nas ruas.
Quanto mais unidades existem circulando, maior é a procura por:
carenagens;
rodas;
motores;
escapamentos;
painéis;
componentes elétricos;
diversas outras peças de reposição.
Essa procura constante gera um mercado paralelo bastante ativo.
Na prática, a motocicleta passa a ter um alto valor mesmo desmontada, tornando o furto um negócio extremamente lucrativo para organizações criminosas.
Por isso, o índice de ocorrências envolvendo a Honda CG 160 cresce de forma muito superior ao de outras motocicletas.
Os números chamam atenção
Os dados apresentados por Hugo Jordão mostram uma realidade preocupante.
Enquanto aproximadamente 55 novas CG 160 são vendidas por hora no Brasil, somente na Região Metropolitana de São Paulo duas motocicletas desse modelo são furtadas ou roubadas a cada hora.
Outro dado impressionante é que o índice de furtos da Honda CG chega a ser nove vezes maior que o do segundo modelo mais visado pelos criminosos.
Esses números ajudam a explicar por que encontrar proteção para esse modelo se tornou uma tarefa tão difícil.
O problema deixa de ser apenas individual e passa a representar um risco estatístico elevado para empresas que trabalham com seguros e proteção veicular.
Por que o seguro da CG 160 é tão caro?
Muitas pessoas acreditam que o valor do seguro é calculado apenas com base na Tabela FIPE da motocicleta.
Na prática, não funciona assim.
O principal fator considerado é o risco de ocorrência de sinistros.
Quanto maior a probabilidade de roubo, furto ou perda, maior tende a ser o valor cobrado pela proteção.
É exatamente isso que acontece com a Honda CG 160.
Mesmo sendo uma motocicleta com valor relativamente acessível, seu histórico de ocorrências faz com que o risco seja extremamente elevado.
Como consequência, muitas empresas simplesmente deixam de oferecer cobertura para esse modelo.
A recusa das seguradoras
Outro ponto destacado por Hugo Jordão é que diversas seguradoras tradicionais frequentemente recusam a contratação para a Honda CG 160.
Entre elas estão empresas conhecidas como:
Porto Seguro;
Bradesco;
Itaú;
Azul.
A recusa acontece porque o risco financeiro pode se tornar inviável para determinadas operações.
Quando uma seguradora entende que a frequência de sinistros é muito alta, ela pode optar por simplesmente não aceitar novas propostas para aquele veículo.
Isso faz com que muitos proprietários tenham dificuldade para encontrar qualquer tipo de proteção.
Quando o seguro custa uma fortuna
Mesmo quando existe disponibilidade para contratação, os valores costumam assustar.
Em uma das simulações apresentadas por Hugo Jordão, uma cotação chegou a ultrapassar R$ 8.500 para proteger uma motocicleta avaliada em aproximadamente R$ 22 mil.
Na prática, isso representa cerca de 25% do valor da própria moto.
É um custo que faz muitos consumidores desistirem da contratação.
O resultado é um cenário ainda mais preocupante: milhares de motociclistas acabam circulando completamente desprotegidos justamente por não conseguirem pagar o valor do seguro.
Um comparativo que chama atenção
Talvez o dado mais surpreendente seja a comparação feita por Hugo Jordão.
Em determinadas situações, o seguro de uma Honda CG 160 pode custar mais caro do que o seguro de um automóvel avaliado em cerca de R$ 100 mil.
À primeira vista isso parece não fazer sentido.
No entanto, a lógica do mercado é baseada na probabilidade de ocorrência.
Um veículo de maior valor, mas com baixo índice de roubo, pode representar menos risco do que uma motocicleta muito mais barata, porém extremamente visada pelos criminosos.
Por isso, o preço do bem nem sempre determina o valor do seguro.
O fator mais importante continua sendo o risco estatístico.
A influência da cor da motocicleta
Existe ainda um detalhe que muitos compradores desconhecem: a cor da motocicleta também pode estar relacionada ao risco.
Segundo os dados apresentados, 40% das Honda CG furtadas ou roubadas são da cor vermelha.
Isso significa que esse grupo concentra uma parcela significativa das ocorrências registradas.
Na prática, optar por uma CG vermelha pode representar um risco estatístico ainda maior quando comparado a outras cores, independentemente do ano de fabricação da motocicleta.
Embora a cor não seja o único fator analisado, ela passa a ser mais um elemento que merece atenção durante a compra.
Vale a pena comprar uma Honda CG 160?
Essa não é uma pergunta com resposta única.
A Honda CG 160 continua sendo uma motocicleta reconhecida pela economia, durabilidade, baixo custo de manutenção e excelente desempenho para o uso diário.
Para muitos brasileiros, ela permanece sendo uma das melhores opções disponíveis no mercado.
Entretanto, é importante considerar o cenário completo antes da decisão.
A economia obtida com combustível e manutenção pode acabar sendo reduzida — ou até anulada — caso o proprietário precise pagar um seguro muito caro ou encontre dificuldades para conseguir proteção.
Além disso, quem utiliza a motocicleta como ferramenta de trabalho precisa avaliar outro aspecto importante.
Em caso de roubo, furto ou perda total, o proprietário poderá ficar um período aguardando a indenização. Durante esse tempo, pode permanecer sem sua principal fonte de renda, impactando diretamente seu sustento.
Conclusão
A Honda CG 160 reúne praticamente todas as características que fizeram dela um sucesso absoluto no Brasil: é econômica, confiável, resistente e extremamente versátil.
Porém, exatamente essas qualidades contribuíram para que ela também se tornasse um dos veículos mais visados pelo crime organizado.
O alto índice de furtos e roubos influencia diretamente o mercado de seguros, aumenta os custos de proteção e faz com que diversas seguradoras recusem novas contratações.
Antes de adquirir uma CG 160, vale a pena analisar não apenas o preço da motocicleta, mas também o custo para protegê-la, o nível de risco da região onde ela será utilizada e o impacto financeiro que um eventual sinistro pode causar.
Tomar essa decisão de forma consciente permite avaliar todos os custos envolvidos e escolher a alternativa que melhor atende às suas necessidades.
Perguntas Frequentes
Por que o seguro da Honda CG 160 é tão caro?
O preço é alto devido ao elevadíssimo risco de furto e roubo. Seguradoras avaliam a demanda por peças e a frequência de sinistros, que na CG é quase nove vezes superior a outras motos.
Qual a cor de moto CG 160 mais roubada?
As motos de cor vermelha representam 40% de todos os furtos e roubos do modelo CG 160, sendo a escolha de cor mais arriscada para o proprietário.
Quantas motos CG são roubadas por hora em São Paulo?
Na região metropolitana de São Paulo, a estatística aponta que cerca de duas motos Honda CG são subtraídas (roubo ou furto) a cada hora.
Vale a pena ter proteção veicular em vez de seguro para a CG?
Depende da viabilidade financeira. Enquanto o seguro pode chegar a 40% do valor da moto, associações de proteção veicular costumam oferecer planos por cerca de 25% do valor, mas o custo ainda é considerado alto.

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